segunda-feira, setembro 24, 2012


Movimento Perpétuo

Sou qualquer coisa perdida ali pelo meio
Sou um cavalo sem dullahan e sem freio
Que corta as estepes do tempo e parte
Rumo à nova era da qual são estandarte

A liberdade, lei de alma, o trovador
Que é o trote da agitação interior
Que é o eco da subversão que é o amor
pela Glória da Rima e sua sombra o Esplendor.

Nascem rosas negras d'Ele que as semeia
Pela Terra que é o Sonho em forma de Aqui
E ao arrancá-las em seu galope a ideia
de espinhos é doce e crava-se e Ele ri.

Rasgam-se as peles do cavalo alado
E tem-se um desenho traçado a sangue
De turbulência por um verde prado
Sob o céu da mística e um urro: "Kerrang!!"

Jorra pelos ares todo um mar que alaga
E de seu fundo um túrpido azul propaga
Sons de golfinhos e de ManOwaR os cantos
E das sereias voluptuosas os encantos.

Os tubarões exibem suas mandíbulas
Por entre a flora e as algas que ondeiam
E além das povoações que torno ao mar aldeiam
Soerguem-se colinas e é de sempre o vê-las.

De seu alto, num gesto triunfal me despeço,
Próximo que estou de em Valhalla dar ingresso:
Longe do que é parado, humanos e balística,
Ergo alto a minha Espada: a Verdade Artística!

sábado, setembro 15, 2012

P'ra um concurso de haikus, em que o tema é Lisboa:


Acordo em Lisboa.
Vou à janela e passa
uma gaja boa.

Sakuras em flôr.
Mulheres vestem kimono.
...No Cinema King.

Escrevo uns haikus
prá Embaixada do Japão
no café Nicola.

Regateio óculos
de sol no Martim Moniz.
Verão em Lisboa.

Ruas tortas de Alfama.
Velhinhas estendem roupa
e o Quim Tó trafica.

Chiado - tão chique!
Um freak a brincar co'o fogo.
Riso de turistas!

Aos altos e baixos,
o eléctrico para a Graça.
As sete colinas.

Manif no Marquês...
Consumismo no Colombo...
Rusga sem Piedade...

Lá vão os namorados.
Prostituem-se menores.
Mãos dadas, no Parque.

Marianas, Cascais:
um espancamento. O sangue,
e o Tejo a passar.

Ganhou o Benfica!
Saio da tasca contente.
As putas do Técnico!

Sexta tocá sair
e palmar uns telemóveis.
Sábado há feiras.

Os bares do Bairro.
Multidão, álcool e drogas,
e pancadaria.

Os bares de Santos.
Pitinhas co'o pito aos saltos.
GHB no bolso.

No Cais do Sodré,
tumulto: gente e táxis.
A Lua do Fim.